***
No meu desejo,
as asas de borboleta eu queria,
para ver, para voar
para completar, para contemplar
algo maior do que eu
ao rasgar o céu com minhas cores
Não consegui.
As asas da borboleta foram me negadas
Deram-me um casco de tartaruga,
alegaram minha condição de incapaz.
A essa dor me conformei
sem deixar de desejar
Presa na areia, meus passos se atrasavam
na perseverança, um esforço gigantesco
para não negar a mim mesma
a cor da minha alma
Descubro-me pelo meu olhar
alcanço o mar
***
Escrito em 01.11.2008, enquanto descobria a lente subversiva da psicanálise através das aulas de S. Memento
Escrevi outro dia um comentário e acho que ele "sumiu" rdrd
ResponderExcluirVai agora um poema do Pessoa
NÃO GOSTO DE POEMAS
Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre
aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia;
e se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.
Fernando Pessoa
bJbILL