sábado, 21 de maio de 2011

Meu marido não sabe escolher comédias românticas, mas...

 

Texto escrito em maio de 2010 no meu blog Livros,  Cinemas e Etc que agora se junta a este blog Travessia


Imagine só um daqueles dias da semana em que tudo é uma correria e a única coisa que você quer é que a noite chegue logo para encontrar seu amor. Então vocês combinam um jantarzinho, acompanhado de um bom vinho e decidem assistir a uma comédia romântica para descansarem aconchegados no sofá (afinal, o amor vem antes do jantar! Eis o segredo!). No entanto, seu marido/namorado/ficante... Enfim, seu amor é quem escolheu o filme. No inicio, parece algo promissor, que vai ser divertido e relaxante. Porém, depois de 15 minutos de filme, você percebe que não tem nada haver com uma comédia romântica. Na verdade, com 20 minutos de filme você começa a chorar, odiar, decepcionar, qualquer coisa, menos rir ou divertir!Bom, seu amor começa a ficar preocupado. Mas, como ele imaginou que isso poderia acontecer, muito esperto ele tem outro DVD na "manga". E sugere que assistam ao outro filme. Nova tentativa, parece que vai dar certo, mas 30 minutos de filme e você já odeia o mocinho da história, que é mais depressivo do que a gente naqueles dias de fossa...
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.... Esse amor que aluga os filmes é o meu marido! Ele tem um dom especial para só encontrar filmes cabeças, cults, polêmicos, menos comédia romântica... Minto! Quando eu encomendo um filme específico, ele traz certinho. Ou, raras vezes, traz um filme achando que é tipo super cabeça e acaba sendo até romântico. É hilário! Para não dizer tragicômico! É o que dá quando se casa com alguém super politizado que lê Bauman, Bakunin, Marx, Freud, Darwin ou sei lá quem mais aos domingos de manhã. É o jeito do meu amor, ainda que ele seja mais divertido do que qualquer comédia romântica. Mas, vamos aos filmes.
Da última vez, Vitor (meu marido!) alugou a comédia “TA RINDO DO QUE?”. Entendo perfeitamente por que ele escolheu esse filme, afinal tratava-se de uma comédia, ou pelo menos dizia ser, com o protagonista interpretado por ADAM SANDLER acompanhado por SETH ROGEN, o canadense comediante, escritor e ator que vem fazendo filmes hilários como “PAGANDO BEM, QUE MAL TEM?”, “LIGEIRAMENTE GRÁVIDOS” ou “SEGURANDO AS PONTAS” (em inglês, Pineapple Express, neste último tivemos crise de risadas!). No entanto, “TA RINDO DO QUE?” não tem nada de comédia, é um drama sobre um comediante que não tem amigos e descobre que é portador de uma doença fatal, o que pressupõe um encontro breve com a morte. Não dá pra rir. Até aonde eu vi, também não dá para se comover. Mas, não posso dizer mais do que isso, pois não conseguimos terminar o filme. Era muito mórbido, vazio e triste para uma noite romântica com meu marido. De uma estranheza total!
Depois, tentamos “500 DIAS COM ELA” e conseguimos chegar até o final. Para você ter idéia, meu marido acredita até agora que o filme se chama “500 DIAS SEM ELA”. O filme tem uma estética linda, poética, alternativa, em uma história não linear, com uma trilha sonora especial que deve ser saboreada. Há cenas super divertidas, o começo já é irônico, ao iniciar com a seguinte frase “O filme a seguir é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você Jenny Beckman. Vaca". Na história, Tom (Joseph Gordon-Levitt), o mocinho, apaixona se por Summer (Zooey Deschanel), uma mocinha que não acredita no amor, não faz promessas e quer viver a sua vida conforme deseja. É preciso reconhecer a mudança de papéis tão comuns no espaço da comédia romântica: já não é mais a princesa encantada esperando por seu amor, nem o sapo se transformando em príncipe. Há certo e grande sofrimento em dar amor a quem não o pede! Por isso, não dá para assistir em noites românticas, ninguém quer se deparar com amores não correspondidos, pelo contrário.
Então, você deve estar se perguntando o que eu indicaria de filme para uma noite especial. Hum... Para se divertir com o amor, minhas preferidas são “CASAMENTO GREGO”, com Nia Vardalos (Não dá para não se encantar como Toula e Ian Miller), ou “ALGUÉM TEM QUE CEDER”, estrelado por Jack Nicholson e Daiane Keaton. São dois filmes que todo mundo conhece e se você não conhece vale a pena vê-los. O primeiro é criação da própria Nia Vardalos que transformou as histórias de sua família em uma peça de teatro que deu origem ao filme produzido por Tom Hanks. Trata-se de uma pequena produção, cuja propaganda boca a boca a tornou em um super sucesso nas bilheterias de todo o mundo. O segundo filme, com roteiro e direção de Nancy Meyers, é hilariante e gostosa de ver. Keaton e Nicholson dão um show à parte, fazendo de um gênero tão desgastado e difícil de ser elaborado como algo delicioso e divertido. A cena que ela mede a pressão dele na hora do amor é muito engraçada. Além desses dois grandes atores, o filme também conta com os maravilhosos Keanu Reeves, Frances Macdormand, Amanda Peet e John Favreau.
Esses são apenas dois dos filmes de vários que valem a pena ver como “Tudo em Família”, “Idas e Vindas do Amor”, “Simplesmente Amor”, “Simplesmente Complicado”, “O Amor não tira férias”, “O Diário de Bridget Jones”, “Os delírios de consumo de Black Bloom”, entre vários outros que ousam a renovar um gênero tão marcado por clichês, ainda que caia nos clichês também. Bom, mas vamos ter outras oportunidades para falarmos sobre esses outros filmes em outros momentos.
Voltando ao jantar romântico com meu marido, mesmo a escolha de comédias nada divertidas e nem românticas estraga a noite, afinal, já viu como são os enamorados, tudo é motivo para aproveitar o tempo juntinhos. Se por um lado, meu marido não escolhe bem esses filmes, por outro é um poeta e canta para mim:
“Eu esperei muito tempo, pra ver você chegar, em uma noite sem estrelas, você me fez sonhar. Nossos passos tão distantes começaram a se encontrar, mãos frias e arritmias, eu mal podia esperar. Nada que não fosse igual. Um cara se apaixona, nada mal. E a menina que quer também alguém para segurar sua mão. Nossa estória soa terna e incomum, passados tão dispersos, mas não separados. Eu pensava em você na janela do meu quarto, você já sabia que nossos destinos estavam traçados. Agora pego em sua mão para gente fugir. Eu sei bem aonde ir. Palavras nos olhares e o mundo nas mãos. Tenho você dentro do coração”.
E eu, como não sei cantar e nem escrever poesias, respondo com as palavras de Renato Russo em uma de suas músicas: “Quero ouvir uma canção de amor, que fale da minha situação, de quem deixou a segurança de seu mundo, por amor, por amor”. Te amo Vitor!

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